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Pressão parental, receio
por parte dos atletas das avaliações negativas,
comportamentos positivos, divertimento e prazer... são uma
série de expressões que giram à volta do conceito relação
entre pais e filhos no desporto.
Relativamente à competição, esta deve ser
encarada como um meio de comparação em relação ao passado
e, só depois, como referência comparativa em relação aos
colegas e adversários desportivos. Os atletas com maiores
probabilidades de sucesso na competição são aqueles que
lutam e estão motivados para obter um nível de excelência,
assumem mais facilmente responsabilidades pelos actos,
correm riscos para aprender e obtêm feedback de apoio e,
maior gozo e prazer na busca da vitória e da melhoria
pessoal. Quanto aos motivos que levam as crianças a
iniciar e manter a prática desportiva
são essencialmente, o facto quererem divertir-se, melhorar
e aprender destrezas físicas, conviver e fazer novos
amigos, viver as emoções da modalidade, conseguir uma boa
condição física e por fim, ganhar e ter êxito desportivo.
Já no que diz respeito ao abandono do desporto,
as causas apontadas como as mais frequentes são o facto de
ter outras coisas para fazer, a modalidade não era o que
eu pensava, o desejo de praticar outra modalidade, não
gostar do treinador ou ainda, o treinador ser demasiado
duro.
Ora, quer no conceito de competição, quer nos factores que
levam as crianças a iniciar/manter ou abandonar a prática
desportiva, há um papel fulcral a desempenhar pelos pais.
Existem os pais excessivamente críticos, os
descontrolados, os treinadores de bancada, os pais super
protectores e os pais desinteressados. Assim sendo, é
importante referir que, qualquer uma destas atitudes
parentais poderão funcionar como uma fonte de pressão e
stress para as crianças. Reparem no seguinte, os atletas
que sentem excesso de ansiedade competitiva apresentam,
uma tendência natural para serem ansiosos ou nervosos,
baixa auto-estima, pouca esperança em bons resultados,
frequentes preocupações com as expectativas dos adultos e
até mesmo a adquirem a opinião de que é importante
praticar desporto devido às expectativas dos pais. Tudo
isto são consequências de um envolvimento excessivo dos
pais, na vida desportiva dos filhos.
Opto aqui por apresentar duas vertentes aos pais:
1ª - Comportamentos e atitudes mais aconselhados e
apropriados à competição desportiva de jovens:
permanecer na zona reservada aos espectadores (excepção
para os pais leccionistas, directores, etc...), evitar
"aconselhar" o treinador sobre como orientar a equipa,
evitar comentários depreciativos aos treinadores, árbitros
e atletas, evitar ser o "treinador" do seu filho durante
as competições, evitar comportamentos não saudáveis
durante competições e treinos (fumar, beber álcool,
etc..), apoiar a equipa do filho, demonstrar interesse,
entusiasmo e apoio ao filho, controlar as emoções,
demonstrar vontade de colaborar com o treinador, os
dirigentes e os árbitros e demonstrar apreço pela forma
como o treinador, os dirigentes e os árbitros dirigiram as
competições e treinos.
2ª - Promover uma melhor comunicação entre pais e
filhos: encorajamento do jovem a praticar
desporto, mas sem o pressionar, perceber o que o atleta
pretende do desporto e ajudá-lo a obter esses objectivos,
definir o momento em que a criança deve começar a competir
e assegurar-se de que tem à disposição as condições
ideais, assegurar-se que o treinador está qualificado,
mater a vitória e o sucesso desportivo como um objectivo a
atingir a longo prazo e estimular o jovem a fazer o mesmo,
ajudar o atleta a traçar objectivos realistas, incentivar
o jovem a aprender com o desporto, sensibilizar a criança
a assumir as responsabilidades para com a equipa e
treinador, utilizar a disciplina apenas quando necessário,
não se intrometer no trabalho do treinador, fornecer ao
treinador todas as informações necessárias sobre o estado
e saúde da criança.
Desta forma, todas estas estratégias apresentam um
conjunto de consequências positivas, por parte dos jovens,
que percepcionam os pais como uma fonte de apoio social.
Por conseguinte, as crianças e jovens com maior
auto-estima apresentam níveis mais elevados de apoio
social e emocional. Objectivamente, quanto menor a pressão
parental maiores os níveis de divertimento e prazer na
actividade desportiva. Há maior eficiência no alcance
deste nível óptimo, se não fomentada ansiedade, stress e
esgotamento nas crianças fruto de atitudes e
comportamentos negativos por parte dos pais.
Apesar de não ser de todo a minha especialidade
profissional, efectuei esta reflexão sobre o tema relação
entre pais e filhos no desporto. Esta análise é
fundamental, para que haja essencialmente uma melhor
compreensão por parte dos pais, do significado e
importância do desporto na criança, estando estes
sensibilizados para atitudes e comportamentos que promovam
o crescimento e desenvolvimento psicológico e físico dos
seus filhos. Este artigo é dirigido a todos os pais mas
fundamentalmente, aos que mais recentemente estão
envolvidos nesta nova realidade.
Termino com o seguinte: As crianças sonham ser
campeões mas têm o direito de não o ser.
Hugo Lagos
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